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Curumins e Cunhantãs na Arena: O Futuro do Folclore Brilha no Encerramento dos Bois Mirins em Parintins

Apresentação do Boi Mirim Mineirinho celebrando 50 anos de história com alegoria em formato de catedral e itens oficiais na arena de Parintins.
Boi-Bumbá Mineirinho reconstrói sua trajetória na arena e emociona o público ao festejar seu Jubileu de Ouro nas 59ªs Festividades Folclóricas de Parintins. (Foto: Sidney Simas/SECOM)

Quando o tambor do curumim bate na Ilha Tupinambarana, a certeza é uma só: a tradição amazônica nunca vai morrer. Em uma noite carregada de emoção, cores e arquibancadas lotadas, a Prefeitura de Parintins e o Governo do Estado encerraram as 59ªs Festividades Folclóricas de Quadrilhas, Danças e Bois Mirins. O Anfiteatro Sila Marçal transformou-se no cenário de um espetáculo inesquecível, onde, muito além de uma brincadeira de criança, o festival provou ser um celeiro de criatividade, consciência socioambiental e inclusão, mostrando que a paixão popular pelo boi-bumbá começa desde os primeiros passos.

Abrindo a noite de despedida, o Boi-Bumbá Mineirinho cruzou a arena celebrando a marca histórica de 50 anos de existência. Defendendo o tema "Mineirinho, Meio Século de História e Tradição", o boi preto do Centro da Ilha reviveu sua própria essência, nascida em 1976 do amor entre Dona Leonor, torcedora do Caprichoso, e Seo Lelé, do Garantido. O espetáculo fluiu com uma abertura impactante, onde uma alegoria em formato de catedral revelou os itens oficiais. Sob a condução do Apresentador, do Levantador e do Amo, a Sinhazinha da Fazenda brilhou em uma linda homenagem à eterna Rainha do Ouro, Grayce Silva. Logo depois, a arena transformou-se no habitat da Yara, a protetora dos lagos, cuja encenação culminou na evolução mística da Cunhã-Poranga. Para fechar, o momento indígena trouxe o imponente ritual dos Apinajés e sua batalha contra o povo morcego, finalizando com a apoteose do Pajé, que representou a força do Sol.

Da Identidade Verde e Branca ao Manifesto Social Alaranjado

Crianças integradas nas alas do Boi-Bumbá Mirim Estrelinha, vestindo verde e branco, apresentando-se na arena do Anfiteatro Sila Marçal em Parintins.
O Boi-Bumbá Mirim Estrelinha dá show de equidade e transforma o Anfiteatro Sila Marçal em um manifesto de inclusão social e amor à cultura amazônica durante o festival mirim de Parintins. (Foto: Sidney Simas/SECOM)

Logo em seguida, o Boi-Bumbá Mirim Estrelinha inundou o anfiteatro de sensibilidade com o tema "Amazônia Criança: Imaginário da Vida". Ostentando o tradicional verde e branco e a estrela de oito pontas na testa, a associação transformou o espaço em um grande terreiro de infâncias plurais e tocou o coração do público com momentos de pura poesia. Relembrando suas origens na promessa de Hudson Carmo na década de 1980, o boizinho evoluiu em frente à representação da Igreja de São Benedito, mandando um recado claro de respeito à pluralidade religiosa. No comando dos versos, o pequeno Amo do Boi, Henrique Gabriel, já apontado como o mais experiente do festival, esbanjou carisma e improviso ao cantar "Meu Divino Salvador". Enquanto isso, a Batucada fez o chão tremer com materiais que remetiam às palhas e saberes tradicionais da floresta. O grande trunfo da noite, porém, foi a equidade, consolidando o Estrelinha como o nascedouro da inclusão ao integrar perfeitamente crianças neurotípicas, cadeirantes, quilombolas e ribeirinhas em todas as suas alas.

Apresentação cultural do Boi Mirim Tupi com crianças na batucada e indumentárias alaranjadas durante o encerramento do festival folclórico mirim.
Com as cores laranja e branco, o Boi-Bumbá Mirim Tupi encerra a noite de disputas unindo a magia dos mitos da floresta com uma forte mensagem pedagógica de defesa dos direitos da infância. (Foto: Sidney Simas/SECOM)

Para fechar o festival com chave de ouro, o Boi-Bumbá Mirim Tupi coloriu a arena de laranja e branco. Sob as linhas teóricas de pensadores como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, o tema "Raízes do Meu Lugar" transformou o espetáculo em uma verdadeira ferramenta de pedagogia cultural e defesa dos direitos da infância. A noite começou ao som da flautista Sofia da Silva Prata, de apenas 9 anos, e seguiu com a estreia contagiante do pequeno Nícolas Colares Garcia, de 6 anos, no comando como Apresentador. No quesito visual, a Porta-Estandarte Vitória Siderval surpreendeu ao misturar o bailado do boi com o Frevo nordestino, enquanto o bloco de Vestidos Regionais deu um show de sustentabilidade ao utilizar copos descartáveis e garrafas PET. O momento mais impactante foi a lenda do Jacurutu, o pesadelo da noite, usada de forma corajosa como um protesto real contra o abuso infantil e a violência. Logo após, a Cunhã-Poranga Layssa Gabriele surgiu de uma enorme coruja, abrindo caminho para o bailado da Rainha do Folclore, Ayla Beatrice. O encerramento veio com o ritual Muraída, uma crítica ao preconceito histórico sofrido pelo povo Mura, onde o Pajé José Romano impressionou a todos com uma indumentária que trazia um crânio de jacaré.

Ao dar voz, espaço e protagonismo para os curumins e cunhantãs, Parintins não apenas encerra uma festividade, mas garante a eternidade da sua maior riqueza. O espetáculo dos Bois Mirins prova que a cultura amazônica corre nas veias da nossa gente desde o berço, assegurando que o futuro da Ilha continue em mãos apaixonadas.

Por: Dina dos Santos, com informações de Cristiane Barbosa / SECOM Parintins

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