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Ritmo ancestral: Gambá é reconhecido por unanimidade como Patrimônio Imaterial do Amazonas

Foto oficial coletiva no Palacete Provincial em Manaus reunindo dezenas de pessoas, entre conselheiros do Copham e mestres tradicionais, celebrando o reconhecimento do Gambá como patrimônio.
 Conselheiros do Copham, autoridades e mestres da cultura popular reunidos no Palacete Provincial após a aprovação unânime do Gambá. (Foto: Gabi Vitim / SEC-AM).

Em um passo histórico para a salvaguarda das manifestações tradicionais do interior do estado, o Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas (Copham) aprovou, por unanimidade, o registro da expressão cultural Gambá como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado. A decisão ocorreu durante a 48ª Sessão Plenária Ordinária, realizada no Palacete Provincial, e reuniu mestres e mestras da cultura popular, pesquisadores e autoridades locais.

O Gambá é uma das manifestações mais genuínas da identidade cabocla, caracterizando-se por uma celebração profunda que funde batuques, cantigas, danças e ritos religiosos, com forte ligação às comunidades ribeirinhas da Amazônia. Com a aprovação do parecer técnico, o Estado emitiu a certificação simbólica e deu início imediato às ações de proteção jurídica e administrativa da manifestação.

Da Resistência à Salvaguarda Permanente

Imagem aproximada focando no documento oficial de certificação emitido pelo Governo do Estado do Amazonas e Copham, declarando a expressão cultural Gambá como patrimônio imaterial.
 Entrega simbólica da certificação que reconhece o Gambá como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas. (Foto: Gabi Vitim / SEC-AM).

O processo para o reconhecimento teve início ainda em 2011, capitaneado por estudos da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM), mas ganhou força total nos últimos anos graças à mobilização direta dos guardiões dessa tradição. Segundo o relator do processo, Rafael Nascimento de Azevedo, a chancela abre as portas para políticas públicas permanentes.

“O reconhecimento não é apenas um ato simbólico. Ele representa o início de políticas públicas permanentes de salvaguarda, valorização e continuidade dessa manifestação cultural”, explicou o relator. Na prática, a resolução aprovada garante ações como o mapeamento de mestres e grupos tradicionais, levantamento audiovisual e etnográfico, além do apoio direto à transmissão de saberes para as novas gerações.

O presidente do Copham e secretário de Cultura, Caio André, celebrou o marco: “É mais um reconhecimento de uma cultura ancestral. Esse primeiro passo abre caminho para uma série de outros reconhecimentos que ainda precisam ser feitos em relação às manifestações culturais do Amazonas”.

"Gambá é Vida, Memória e Ancestralidade"

Vista da plateia nas cadeiras do Palacete Provincial em Manaus, com pessoas sorrindo, aplaudindo e comemorando com os braços levantados durante a 48ª Sessão do Copham.
Emoção na plenária: Público e agentes culturais vibram nas galerias do Palacete Provincial com o resultado da votação unânime. (Foto: Gabi Vitim / SEC-AM).

A sessão plenária foi marcada por forte emoção. Representando o Ponto de Cultura Pavulagi, o Mestre Ismael discursou sobre a importância de dar legalidade a um movimento secular de resistência e conexão com o território amazônico.

“O ato dá visibilidade, notoriedade e legalidade para um movimento que já existe há muito tempo. Gambá não é só instrumento, não é só ritmo, não é apenas uma roda de dança. Gambá é vida, é memória, é ancestralidade. É o remar da canoa, é o amanhecer do rio, é o rezar, é o viver na floresta. É a história do povo amazônico sendo transmitida de geração em geração”, declarou o mestre, aplaudido de pé pelos presentes.

Por Roger Pimentel, com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM).

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