Mar Azul e Branco Toma Conta de Parintins no Tradicional Boi de Rua do Caprichoso
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| No braço do povo: Boi Caprichoso evolui cercado por milhares de torcedores no tradicional cortejo pelas ruas de Parintins. (Foto: Tiago Corrêa / Secom) |
A essência mais pura e tradicional do folclore parintinense ganhou vida no último sábado (20/06). Uma verdadeira multidão vestida de azul e branco invadiu as principais vias da Ilha Tupinambarana para acompanhar o histórico Boi de Rua do Boi Caprichoso. O evento, que acontece sempre na semana que antecede o Festival de Parintins, serviu como o grande abre-alas popular para o 59º festival, reafirmando os laços ancestrais entre o bumbá e a sua comunidade.
A manifestação, nascida na década de 1980, resgata o formato original da brincadeira de boi, quando o touro negro percorria as vias da cidade de forma despretensiosa. Hoje, consolidado como um marco do calendário, o cortejo atrai milhares de brincantes de todas as idades, costurando a história do bumbá através das gerações.
Do Palmares ao Centro: O Trajeto da Paixão Azulada
A jornada começou no icônico Canto da Porrada, ponto de encontro tradicional na Avenida Senador José Esteves, localizado no bairro Palmares. Dali, o mar azul seguiu um roteiro que mexeu com a geografia sentimental da cidade, passando pela Rua Sá Peixoto, Avenida Amazonas, Rua Cordovil e encerrando com chave de ouro na Avenida Nações Unidas.
O grande diferencial do cortejo foi a interatividade das famílias que residem ao longo do trajeto. Muitas delas fizeram questão de ornamentar fachadas, calçadas e varandas com bandeiras e adereços para saudar o Boi Caprichoso. Da pista, dois trios elétricos ditaram o ritmo da caminhada: um conduzindo o time de toadeiros e outro levando os itens oficiais da agremiação, alternando entre clássicos imortais e os novos sucessos da temporada.
Vozes da Tradição e o Resgate da Memória
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| Tradição que atravessa gerações: Marujeira demonstra paixão e ritmo ao tocar palminha durante o trajeto do Boi de Rua. (Foto: Tiago Corrêa / Secom) |
Para o presidente da agremiação, Rossy Amoedo, o Boi de Rua é o momento de voltar para a raiz de tudo.
“O Boi de Rua deu origem ao nosso festival. Era uma brincadeira de rua e nós sempre resgatamos esse momento para lembrar a história do boi, há mais de 100 anos, quando saía pelas ruas iluminado por lamparinas. Essa festa revive a tradição, a memória e toda a trajetória que o Caprichoso percorreu para chegar onde está hoje”, pontuou o dirigente.
Quem também destacou o peso dessa identidade foi o compositor Ademar Azevedo, que cria obras para o bumbá desde 2001. Segundo ele, a energia que emana dos bairros tradicionais e das famílias parintinenses é o combustível que mantém viva a raiz musical e a pulsação do boi na comunidade.
Emoção que Atravessa Gerações
Para quem brinca, a noite de sábado foi um misto de saudosismo e celebração do presente. O torcedor parintinense Erick Frota, que segue o trajeto há quase vinte anos, comentou que ver idosos e crianças esperando juntos o boi passar na frente de casa é a prova real de que a cultura da ilha se mantém preservada.
O magnetismo da festa atrai também quem vem de fora, integrando-se perfeitamente ao roteiro dos visitantes que desembarcam na ilha. O manauara Everton Gomes, que cumpre o ritual do Boi de Rua pela terceira vez, enfatizou que a experiência é indispensável para compreender a grandiosidade e a origem da paixão pelo touro negro antes que as luzes do Bumbódromo se acendam oficialmente.
Por Dina dos Santos - Panamazônida - Rádio e Portal


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