Ciência e Sabedoria: Encontro inédito sobre o Charango marcou Parintins com debate sobre a evolução da Toada
| União de gerações: Charanguistas reunidos no palco após a grande apresentação coletiva na Casa da Cultura. (Foto: Roger Pimentel) |
A Ciência a Serviço da Identidade: A Historiografia do Charango na Amazônia
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| Ciência e identidade: O Prof. Dr. Renato Brandão apresenta a pesquisa do Grupo TAMURÁ sobre a história do charango na Amazônia. (Foto: Roger Pimentel) |
A abertura dos trabalhos teóricos ficou por conta da aguardada palestra “Cordas de Identidade: O Charango e a Transversalidade da Música Andina na Formação da Estética Amazônica”, ministrada pelo Prof. Dr. Renato Brandão. O Manauara filho de uma Parintinense é um dos grandes especialistas em historiografia musical do estado, o pesquisador utilizou o espaço para apresentar os frutos de anos de dedicação e catalogação científica desenvolvidos através do grupo de pesquisa TAMURÁ e do Centro de Artes da UFAM (CAUA).
Durante a apresentação, o Dr. Renato desmistificou a ideia de que o charango é um elemento isolado, demonstrando com dados e análises técnicas como esse instrumento de cordas de origem andina foi abraçado, adaptado e ressignificado pelos músicos locais. “O charango tornou-se peça fundamental na construção da identidade sonora que ouvimos todos os anos no Bumbódromo, unindo a estética dos Andes ao coração da toada”, explicou o palestrante. A conferência foi aplaudida por aproximar a complexidade dos laboratórios acadêmicos da realidade e do entendimento do homem amazônico.
Exposição: Um Mergulho Visual nas Cordas da América Latina
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| Salvaguarda musical: Público do evento conhece de perto os detalhes e a história na Exposição de Instrumentos Musicais. (Foto: Roger Pimentel) |
Logo na recepção do evento, o público foi calorosamente acolhido por uma rica Exposição de Instrumentos Musicais. A mostra reuniu peças raras e tradicionais que mapeiam a evolução das cordas e do ritmo tanto na Amazônia quanto em todo o continente sul-americano.
Mais do que uma exibição estática, o espaço funcionou como uma introdução sensorial para os visitantes. Estudantes, músicos e curiosos puderam observar de perto os detalhes de confecção, as madeiras utilizadas e as semelhanças estruturais entre os instrumentos tradicionais do Beiradão, do Boi-Bumbá e o próprio charango andino, evidenciando como a nossa região ressignifica e abraça diferentes estéticas sonoras.
Produção Acadêmica: Lançamento de Livros Fortalece a Memória Musical
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| Ciência e cultura: O Prof. Dr. Renato Brandão e Vinicius do Carmo realizam o lançamento de obras literárias voltadas à historiografia musical da Amazônia. (Foto: Roger Pimentel) |
Outro momento de grande relevância na programação foi o Lançamento de Livros voltados à historiografia e às musicalidades da Amazônia. A atividade marcou um passo firme no combate ao isolamento da pesquisa universitária, trazendo para as mãos da comunidade os frutos de anos de investigação científica apoiada pela UFAM e pelo grupo de pesquisa TAMURÁ.
Os novos títulos chegam para preencher lacunas importantes na bibliografia cultural do estado, registrando no papel a memória de gêneros musicais, partituras e trajetórias de mestres locais. A circulação dessas obras garante que a sabedoria popular passe pelo crivo da salvaguarda acadêmica, servindo como fonte oficial de consulta para as próximas gerações de educadores e pesquisadores.
Mesa Redonda: O Charango e a Evolução da Toada
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| História viva: Mestres Silvio Camaleão, Clevison Brandão, Moisés Colares e Enéas Dias debatem a evolução da toada em Parintins. (Foto: Roger Pimentel) |
A programação seguiu com a palestra explicativa do Prof. Dr. Renato Brandão e, logo após o coffee break, deu lugar ao grande ponto alto do evento: a roda de conversa com os mestres charanguistas, que se transformou em uma verdadeira aula de história viva conduzida por perguntas diretas do público.
Apesar da ausência justificada do mestre Fred Góes, a mesa ganhou um reforço de peso com a participação do músico e compositor Enéas Dias. Ao lado dos mestres Silvio Camaleão, Clevison Brandão e Moisés Colares, Enéas trouxe contribuições valiosas ao debate.
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| Interação com o público: Mestres respondem perguntas da comunidade e compartilham curiosidades de bastidores do festival. (Foto: Roger Pimentel) |
Os integrantes da mesa não se limitaram apenas aos aspectos técnicos do charango, mas estenderam o panorama para a evolução cronológica da toada no Festival de Parintins, revelando curiosidades de bastidores, fatos históricos inéditos e os desafios estéticos que moldaram a identidade sonora que hoje ouvimos no Bumbódromo.
A Grande "Charangada" Coletiva
Para fechar a jornada com chave de ouro, o evento realizou a aguardada Charangada (ou Charangueada). O momento promoveu uma presença maciça de charanguistas de Parintins no palco. Juntos, experientes e novos músicos uniram suas cordas em uma celebração coletiva potente, provando que o legado do instrumento continua vivo, pulsante e salvaguardado pelas novas gerações da Ilha.
Bastidores e Realização: O Esforço Coletivo por Trás do Encontro
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| Esforço coletivo: Equipe organizadora do TAMURÁ, Centro de Artes da UFAM e Escola do Beiradão celebram o sucesso do encontro inédito. (Foto: Eliton Beltrão) |
- Renato Brandão – UFAM
- Silvio Camaleão – Mestre da Cultura Popular
- Roger Pimentel – Profartes UFAM/UEA
- Jonas Santos – SEMED Manaus
- Louyse Rocha – UFAM
- Fernanda Santos – UFAM/FAMETRO
- Vinicius do Carmo - UFAM
O alicerce científico do evento foi conduzido pelo Grupo de Pesquisa TAMURÁ (Grupo de Estudos Centrado em Cultura e Desafios Amazônicos). Situado atualmente no Laboratório de Produção Musical da Faculdade de Artes da UFAM, o grupo cumpre um papel fundamental de interiorização do conhecimento, transformando a pesquisa acadêmica em ferramentas práticas de salvaguarda da identidade regional.
Somado a isso, o encontro contou com a força do projeto Escola de Beiradão do Amazonas, uma iniciativa viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O projeto atua diretamente na preservação, difusão e ensino dos ritmos e instrumentos que moldam a sonoridade tradicional das comunidades ribeirinhas e dos beiradões do nosso estado, consolidando este evento em Parintins como um marco na valorização do patrimônio imaterial amazônida.
O encontro foi uma realização da Escola do Beiradão do Amazonas via Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com apoio da SEC-AM, Ministério da Cultura e Governo Federal, em parceria com o Centro de Artes da UFAM (CAUA) e a Secretaria de Cultura de Parintins.
Por Roger Pimentel - Drt: 0002495/AM - Panamazônida




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